MACAVITY: THE MYSTERY CAT
T. S. Eliot
Macavity’s a Mystery Cat: he’s called the Hidden Paw –
For he’s the master criminal who can defy the Law.
He’s the bafflement of Scotland Yard, the Flying Squad’s despair:
For when they reach the scene of crime – Macavity’s not there!
Macavity, Macavity, there’s no one like Macavity,
He’s broken every human law, he breaks the law of gravity.
His powers of levitation would make a fakir stare,
And when you reach the scene of crime – Macavity’s not there!
You may seek him in the basement, you may look up in the air –
But I tell you once and once again, Macavity’s not there!
Macavity’s a ginger cat, he’s very tall and thin;
You would know him if you saw him, for his eyes are sunken in.
His brow is deeply lined with thought, his head is highly domed;
His coat is dusty from neglect, his whiskers are uncombed.
He sways his head from side to side, with movements like a snake;
And when you think he’s half asleep, he’s always wide awake.
Macavity, Macavity, there’s no one like Macavity,
For he’s a fiend in feline shape, a monster of depravity.
You may meet him in a by-street, you may see him in the square –
But when a crime’s discovered, then Macavity’s not there!
He’s outwardly respectable. (They say he cheats at cards.)
And his footprints are not found in any file of Scotland Yard’s.
And when the larder’s looted, or the jewel-case is rifled,
Or when the milk is missing, or another Peke’s been stifled,
Or the greenhouse glass is broken, and the trellis past repair –
Ay, there’s the wonder of the thing! Macavity’s not there!
And when the Foreign Office find a Treaty’s gone astray,
Or the Admiralty lose some plans and drawings by the way,
There may be a scrap of paper in the hall or on the stair –
But it’s useless to investigate – Macavity’s not there!
And when the loss has been disclosed, the Secret Service say:
‘It must have been Macavity!’– but he’s a mile away.
You’ll be sure to find him resting, or a-licking of his thumbs;
Or engaged in doing complicated long division sums.
Macavity, Macavity, there’s no one like Macavity,
There never was a Cat of such deceitfulness and suavity.
He always has an alibi, and one or two to spare:
At whatever time the deed took place – MACAVITY WASN’T THERE!
And they say that all the Cats whose wicked deeds are widely known
(I might mention Mungojerrie, I might mention Griddlebone)
Are nothing more than agents for the Cat who all the time
Just controls their operations: the Napoleon of Crime!
MACÁRIO: O GATO MISTÉRIO
T. S. Eliot
Macário é o Gato Mistério conhecido como Pata Invisível –
pois é um gênio do crime que desafia a Lei.
Confunde a Scotland Yard e desespera o Esquadrão Aéreo:
pois quando chegam à cena do crime – Macário não está mais lá!
Macário, Macário, não há ninguém como Macário,
rompe todas as leis humanas e a lei da gravidade.
Seus poderes de levitação assustariam um faquir,
Quando chegam à cena do crime – Macário não está mais lá!
Podem procurá-lo no porão, podem procurá-lo pelo ar –
mas vou tornar a dizer: Macário não está mais lá!
Macário é um gato ruivo, muito alto e esguio;
poderiam reconhecê-lo se o vissem, pois, tem os olhos fundos.
Sua fronte mergulhada em pensamentos, sua cabeça abaulada;
Seu pelo coberto de poeira, seus bigodes amassados.
Balança a cabeça de um lado para outro como a cobra;
e quando pensam que está meio adormecido, ele está bem acordado.
Macário, Macário, não há ninguém como Macário,
pois é o inimigo em forma felina, o monstro da depravação.
Poderão vê-lo num beco, e avistá-lo na praça –
mas quando descobrem um crime, Macário não está mais lá!
Tem uma aparência respeitável. (Dizem que rouba nas cartas.)
E suas pegadas não constam de nenhuma ficha da Scotland Yard.
E quando assaltam a despensa, ou roubam o cofre de joias,
ou quando falta leite, ou outro gato é estrangulado,
ou o vidro da estufa é quebrado, ou a treliça precisa ser reparada –
Ai! Aí começam a pensar! Macário não está mais lá!
Quando o Ministro do Exterior descobre que um tratado foi rompido,
ou os Almirantes perderam seus planos ou esboços pelo caminho,
pode haver um papel solto no corredor ou nas escadas –
mas não adianta investigar – Macário não está mais lá!
Quando descobrem o que foi perdido, o Serviço Secreto anuncia:
‘Deve ter sido Macário!’– mas ele está a quilômetros dali.
Sempre estará descansando, ou lambendo as patas;
Ou ocupado fazendo cálculos muito complicados.
Macário, Macário, não há ninguém como Macário,
nunca houve outro Gato tão tinhoso e macio.
Sempre tem um álibi, ou até mais de um.
E não importa se aconteceu algo – MACÁRIO NÃO ESTAVA MAIS LÁ!
E dizem que todos os Gatos, cujos malfeitos são bem conhecidos
(posso citar Mungojina ou Ossobuco)
não passam de agentes do Gato que todo o tempo
controla suas ações: ele é o Napoleão do crime!
Tradução: Thereza Christina Rocque da Motta
terça-feira, 19 de novembro de 2019
sábado, 2 de março de 2019
O gato e o papagaio (Antônio Nunes)
O gato e o papagaio resolveram trabalhar juntos e firmaram uma parceria.
Pensaram para cá e para lá e decidiram abrir uma pizzaria.
O gato abria a massa e o papagaio espalhava o molho ainda morno.
O gato recheava as bordas e o papagaio cuidava do forno.
O negócio ia bem, mas não deu certo.
O papagaio comia a muçarela e o gato o atum,
quando o outro não estava por perto...
O sabor, me contaram, era algo indescritível.
Mas quando acabou a comida,
o papagaio tomou um susto terrível:
o gato sonhou com delicioso galeto...
Foi quando o papagaio pensou melhor a respeito:
bateu asas e foi se refugiar no alto de frondosa mangueira,
onde concluiu que tentar mudar a essência dos outros é tremenda bobeira.
Quem pensa em se aproveitar de um amigo,
ainda que mal não lhe queira,
em verdade, não pode sê-lo.
Não passa, pois, de grande perigo!
Fica aqui a moral desta história:
Abra o olho... e bata asas!
Pensaram para cá e para lá e decidiram abrir uma pizzaria.
O gato abria a massa e o papagaio espalhava o molho ainda morno.
O gato recheava as bordas e o papagaio cuidava do forno.
O negócio ia bem, mas não deu certo.
O papagaio comia a muçarela e o gato o atum,
quando o outro não estava por perto...
O sabor, me contaram, era algo indescritível.
Mas quando acabou a comida,
o papagaio tomou um susto terrível:
o gato sonhou com delicioso galeto...
Foi quando o papagaio pensou melhor a respeito:
bateu asas e foi se refugiar no alto de frondosa mangueira,
onde concluiu que tentar mudar a essência dos outros é tremenda bobeira.
Quem pensa em se aproveitar de um amigo,
ainda que mal não lhe queira,
em verdade, não pode sê-lo.
Não passa, pois, de grande perigo!
Fica aqui a moral desta história:
Abra o olho... e bata asas!
O gato preguiçoso (Antônio Nunes)
O gato preguiçoso não queria acordar,
Abria um olho, fechava o outro,
E voltava a cochilar...
O gato preguiçoso não queria levantar,
Espichava uma pata, espichava a outra,
Lentamente a espreguiçar...
O gato preguiçoso não saía do lugar,
Pisoteava a almofada, dobrava a espinha,
E se punha a bocejar...
O gato preguiçoso não queria se esforçar,
Se enrolava nas minhas pernas,
E ficava a ronronar...
O gato preguiçoso não queria se movimentar,
A comida estava no prato, mas ele nem ia lá,
Preferia o petisco que estaria por ganhar...
À noite o gato sumia
e se dedicava à cantoria
quando o ouvíamos a miar:
Miiiiiau!! Miiiiau!!
domingo, 30 de dezembro de 2018
Dar nomes aos gatos (T. S. Eliot)
The Naming of Cats is a difficult matter,
It isn't just one of your holiday games;
You may think at first I'm as mad as a hatter
When I tell you, a cat must have THREE DIFFERENT NAMES.
First of all, there's the name that the family use daily,
Such as Peter, Augustus, Alonzo or James,
Such as Victor or Jonathan, George or Bill Bailey -
All of them sensible everyday names.
There are fancier names if you think they sound sweeter,
Some for the gentlemen, some for the dames:
Such as Plato, Admetus, Electra, Demeter -
But all of them sensible everyday names.
But I tell you, a cat needs a name that's particular,
A name that's peculiar, and more dignified,
Else how can he keep up his tail perpendicular,
Or spread out his whiskers, or cherish his pride?
Of names of this kind, I can give you a quorum,
Such as Munkustrap, Quaxo, or Coricopat,
Such as Bombalurina, or else Jellylorum -
Names that never belong to more than one cat.
But above and beyond there's still one name left over,
And that is the name that you never will guess;
The name that no human research can discover -
But THE CAT HIMSELF KNOWS, and will never confess.
When you notice a cat in profound meditation,
The reason, I tell you, is always the same:
His mind is engaged in a rapt contemplation
Of the thought, of the thought, of the thought of his name:
His ineffable effable
Effanineffable
Deep and inscrutable singular Name.
Dar Nomes aos Gatos
T. S. Eliot
Dar Nomes aos Gatos é uma questão muito difícil,
Não apenas um mero jogo de palavras;
Poderá pensar que sou como o Chapeleiro Maluco
Quando lhe digo que um gato deve ter TRÊS DIFERENTES NOMES.
Primeiro, o nome como a família o chama todos os dias,
Como Pedro, Augusto, Alonso ou Jaime,
Como Vitor ou Jônatas, Jorge ou Bill Bailey –
Todos nomes diários e racionais.
Há nomes mais bonitos, se quiser sons mais suaves,
Alguns para os machos, outros para as fêmeas:
Como Platão, Admeto, Electra, Deméter –
Mas todos nomes diários e racionais.
Mas, digo-lhe, um gato precisa de um nome especial,
Um nome peculiar e mais digno,
Senão como manterá sua cauda perpendicular,
Ou inflará seus bigodes e alimentará seu orgulho?
De nomes desse tipo, posso fazer uma lista,
Como Munkustrap, Quaxo ou Coricopat,
Como Bombalurina, ou até Jellylorum –
Nomes que só podem ser de um gato.
Mas, acima e além disso, falta ainda um nome,
E este nome jamais saberão;
Um nome que nenhuma pesquisa revelará –
Mas O PRÓPRIO GATO SABE e nunca confessará.
Quando vir um gato em meditação,
A razão, lhe digo, é sempre a mesma:
Sua mente está ocupada em longa contemplação,
Pensando, pensando, pensando em seu nome:
Seu inefável pronunciável
Pronuncinefável
Singular, profundo e inescrutável nome
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
It isn't just one of your holiday games;
You may think at first I'm as mad as a hatter
When I tell you, a cat must have THREE DIFFERENT NAMES.
First of all, there's the name that the family use daily,
Such as Peter, Augustus, Alonzo or James,
Such as Victor or Jonathan, George or Bill Bailey -
All of them sensible everyday names.
There are fancier names if you think they sound sweeter,
Some for the gentlemen, some for the dames:
Such as Plato, Admetus, Electra, Demeter -
But all of them sensible everyday names.
But I tell you, a cat needs a name that's particular,
A name that's peculiar, and more dignified,
Else how can he keep up his tail perpendicular,
Or spread out his whiskers, or cherish his pride?
Of names of this kind, I can give you a quorum,
Such as Munkustrap, Quaxo, or Coricopat,
Such as Bombalurina, or else Jellylorum -
Names that never belong to more than one cat.
But above and beyond there's still one name left over,
And that is the name that you never will guess;
The name that no human research can discover -
But THE CAT HIMSELF KNOWS, and will never confess.
When you notice a cat in profound meditation,
The reason, I tell you, is always the same:
His mind is engaged in a rapt contemplation
Of the thought, of the thought, of the thought of his name:
His ineffable effable
Effanineffable
Deep and inscrutable singular Name.
Dar Nomes aos Gatos
T. S. Eliot
Dar Nomes aos Gatos é uma questão muito difícil,
Não apenas um mero jogo de palavras;
Poderá pensar que sou como o Chapeleiro Maluco
Quando lhe digo que um gato deve ter TRÊS DIFERENTES NOMES.
Primeiro, o nome como a família o chama todos os dias,
Como Pedro, Augusto, Alonso ou Jaime,
Como Vitor ou Jônatas, Jorge ou Bill Bailey –
Todos nomes diários e racionais.
Há nomes mais bonitos, se quiser sons mais suaves,
Alguns para os machos, outros para as fêmeas:
Como Platão, Admeto, Electra, Deméter –
Mas todos nomes diários e racionais.
Mas, digo-lhe, um gato precisa de um nome especial,
Um nome peculiar e mais digno,
Senão como manterá sua cauda perpendicular,
Ou inflará seus bigodes e alimentará seu orgulho?
De nomes desse tipo, posso fazer uma lista,
Como Munkustrap, Quaxo ou Coricopat,
Como Bombalurina, ou até Jellylorum –
Nomes que só podem ser de um gato.
Mas, acima e além disso, falta ainda um nome,
E este nome jamais saberão;
Um nome que nenhuma pesquisa revelará –
Mas O PRÓPRIO GATO SABE e nunca confessará.
Quando vir um gato em meditação,
A razão, lhe digo, é sempre a mesma:
Sua mente está ocupada em longa contemplação,
Pensando, pensando, pensando em seu nome:
Seu inefável pronunciável
Pronuncinefável
Singular, profundo e inescrutável nome
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
O gato que passa (Gerson Valle)
O gato que passa
miando o choro de um bebê
me olha e me vê
como se eu fosse meu antepassado
lembrado em sua memória genética.
Nossos legados vão comandando
meus impulsos humanos
e seus passos brandos.
Seus olhos atentos
pelas madrugadas vão trepando
telhados e gatas
pelo instinto das garras.
Eu me sento e assisto,
pela TV ou internet,
a passagem dos séculos
com todos nossos vícios,
expondo-nos às miradas e feitiços
dos gatos e outros bichos.
Enquanto eu me debruço
no espírito do pássaro
fugindo à gula dos gatos,
a terra se rebela
contra a pacatez da espera.
Por dentro um grito
sai quebrando as pedras.
O vulcão vomita, o mar se agita,
o morro desfaz-se sobre as casas do bairro,
enterrando homens e mulheres
em seus abraços de orgasmos
de olhos fechados
como se não houvesse entorno.
E o que fica me desatina,
querendo rever a porção antiga
sem mais briga.
Agora que a força do braço torto
tornou-se no corpo morto
todos se perguntam a hora
em que a bomba estoura...
O gato espia
com ironia
toda utopia...
"Razão distópica", de Gerson Valle, in “Utopias na contramão”, Ibis Libris, 2018
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
Meu gato que não tenho (Alice Monteiro)
Penso
que os poetas gostam de gatos.
Eu
não fujo à regra.
E
o gato que não tenho
sobe
no meu armário,
desarruma
meus vestidos
e
se esconde das visitas inesperadas.
O
gato que não tenho é macho e se chama João.
Ele
passeia entre as peças de cerâmica
do
aparador da sala e não quebra nada.
O
gato que não tenho é um equilibrista.
Ele
tem uma independência que me seduz.
Brinca
como criança e sabe ser feliz
com
pouca coisa.
O
gato que não tenho é elegante, prateado
e
de olhos cor de ardósia,
mas
não é o Chico.
O
gato que não tenho finge que não existo.
Mas
seu lugar preferido é perto dos livros.
Acho
que João gosta de ler.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Domingo, um gato (Thereza Christina Rocque da Motta)
Domingo, chega um gato,
não para limpar seu prato,
mas para miar em volta
da mesa da sala,
sentar nas cadeiras,
subir no sofá
e deitar na poltrona,
espreguiçar durante meia hora
e acordar várias vezes
durante o dia.
Domingo tem cara gato,
com bigodes e olhos amendoados,
como um estranho que chega
e olha de soslaio,
vira-se de costas,
enquanto me ignora.
Os gatos gostam de domingos,
porque dormem o dia inteiro,
por não ter mais o que fazer.
Quando acordados,
saltam por toda parte,
por cima das estantes,
derrubam o que encontram
e caçam borboletas,
mosquitos e abelhas.
Gatos têm cara de domingo,
porque todo dia
poderia ser de preguiça.
E ele, que não se arrisca,
também não petisca.
Ele sabe equilibrar-se nas patas,
na pontinha dos pés bailarinos
e, de repente, dá um salto
como um trapezista.
Gatos são feitos de lã,
como cobertores quentinhos,
que pulsam e ronronam
como bichos de estimação.
Gatos não nos estimam,
antes nós os estimamos,
porque entram na sua casa
como se a casa fosse deles.
Eles pensam ser gente,
e que nós somos os gatos.
pois esse gato não é gente
e eu não sou gato.
Mas ele espera, ansioso,
pela comida no prato,
pela água na tigela,
e que tudo esteja
nos mesmos lugares.
De onde vêm os gatos?
Do Antigo Egito?
De algum templo sagrado?
Por que existem os gatos?
A maior diversão de um gato
é ficar nos observando.
Gatos nos assistem a toda hora
e dormem ao nosso lado,
enquanto dormimos.
Se um gato, um dia,
entrar em sua vida,
tenha certeza que vai se divertir,
mas não tanto quanto
ele vai se divertir com você.
Gatos são sábios,
gatos são profetas.
gatos são ascetas da solidão.
Eles lhe dão outro ritmo,
outra vida,
outra forma de ser.
Pode ser que você não goste
e torça o nariz.
Realmente gato atrapalha.
Mas quem não atrapalha?
De todos os seres complicados,
o gato se descomplica,
e acredita que você
é sua melhor companhia.
Nunca tive um gato na vida,
até o dia que um gato resolveu me ter.
Não pensei que fosse gostar,
e de fato não sei se gostei,
mas que é diferente é.
Até aprendi a entendê-lo.
Acho que ele me entende também.
Seu nome é Carioca,
mas carinhosamente é Cacá.
Ou como o batizamos, Leila Oli e eu,
Carlos Augusto Rocque Serôa da Motta Rollemberg,
um nobre descendente de uma família muito antiga de Sergipe,
que chegou na terra pelos idos de 1600,
porque, sua dona, a Bia, é Motta e Rollemberg também.
Mas o que Cacá mais gosta de fazer é de ser fotografado.
E eu descobri: ele é um gato de guarda,
que gosta de ficar postado à porta protegendo o quarto.
Cacá pode não ter nem um ano de idade,
mas age como se tivesse 100.
Ele sabe tudo, sem que ninguém ensine,
sabe pular, calcular distâncias,
e cair de pé nas quatro patas
como um perfeito ginasta.
Um dia, Cacá chegou, assustado,
dentro de uma caixa.
E eu que nunca tive um gato,
descobri que esse gato agora
tinha a mim por prazo indeterminado.
Eis que domingo surgiu um gato.
Não para caçar mosquitos,
mas para fazer descobertas,
e brincar e dormir,
e passar o dia ao meu lado.
Às vezes, ele some.
E saio atrás dele:
- Cacá, Cacá, cadê você?
E ele aparece me olhando muito sério,
como se dissesse:
- Por que está me chamando?
Outro dia, fiquei trabalhando
um bom tempo enquanto ele dormia.
Depois de cansar de dormir,
acordou na cadeira,
olhou para mim
e fez uma expressão que dizia:
- Você ainda está aí?
Mas é de manhã que ele fala:
- Bom dia! Miau...
Juro que ele sabe o que diz,
porque só mia assim de manhã.
Gatos não são filhos.
Eles que tomam conta de nós,
enquanto nós tomamos conta deles.
Um dia, eles partem, antes que esperemos,
porque, como eu disse,
eles são muito mais velhos que nós.
Seu tempo corre acelerado.
Para cada ano, contamos sete para o gato.
Logo ele fica velhinho e vai para outro lugar.
Um céu de gatos, espero,
onde outros gatos irmãos
estão lá à sua espera.
Mas se Deus fez todos os animais,
fez os gatos com capacidade de nos tolerar.
Por isso, lembro que era domingo
quando Cacá chegou.
E, a partir daí, tudo mudou.
17/06/2015 - 23h51
não para limpar seu prato,
mas para miar em volta
da mesa da sala,
sentar nas cadeiras,
subir no sofá
e deitar na poltrona,
espreguiçar durante meia hora
e acordar várias vezes
durante o dia.
Domingo tem cara gato,
com bigodes e olhos amendoados,
como um estranho que chega
e olha de soslaio,
vira-se de costas,
enquanto me ignora.
Os gatos gostam de domingos,
porque dormem o dia inteiro,
por não ter mais o que fazer.
Quando acordados,
saltam por toda parte,
por cima das estantes,
derrubam o que encontram
e caçam borboletas,
mosquitos e abelhas.
Gatos têm cara de domingo,
porque todo dia
poderia ser de preguiça.
E ele, que não se arrisca,
também não petisca.
Ele sabe equilibrar-se nas patas,
na pontinha dos pés bailarinos
e, de repente, dá um salto
como um trapezista.
Gatos são feitos de lã,
como cobertores quentinhos,
que pulsam e ronronam
como bichos de estimação.
Gatos não nos estimam,
antes nós os estimamos,
porque entram na sua casa
como se a casa fosse deles.
Eles pensam ser gente,
e que nós somos os gatos.
pois esse gato não é gente
e eu não sou gato.
Mas ele espera, ansioso,
pela comida no prato,
pela água na tigela,
e que tudo esteja
nos mesmos lugares.
De onde vêm os gatos?
Do Antigo Egito?
De algum templo sagrado?
Por que existem os gatos?
A maior diversão de um gato
é ficar nos observando.
Gatos nos assistem a toda hora
e dormem ao nosso lado,
enquanto dormimos.
Se um gato, um dia,
entrar em sua vida,
tenha certeza que vai se divertir,
mas não tanto quanto
ele vai se divertir com você.
Gatos são sábios,
gatos são profetas.
gatos são ascetas da solidão.
Eles lhe dão outro ritmo,
outra vida,
outra forma de ser.
Pode ser que você não goste
e torça o nariz.
Realmente gato atrapalha.
Mas quem não atrapalha?
De todos os seres complicados,
o gato se descomplica,
e acredita que você
é sua melhor companhia.
Nunca tive um gato na vida,
até o dia que um gato resolveu me ter.
Não pensei que fosse gostar,
e de fato não sei se gostei,
mas que é diferente é.
Até aprendi a entendê-lo.
Acho que ele me entende também.
Seu nome é Carioca,
mas carinhosamente é Cacá.
Ou como o batizamos, Leila Oli e eu,
Carlos Augusto Rocque Serôa da Motta Rollemberg,
um nobre descendente de uma família muito antiga de Sergipe,
que chegou na terra pelos idos de 1600,
porque, sua dona, a Bia, é Motta e Rollemberg também.
Mas o que Cacá mais gosta de fazer é de ser fotografado.
E eu descobri: ele é um gato de guarda,
que gosta de ficar postado à porta protegendo o quarto.
Cacá pode não ter nem um ano de idade,
mas age como se tivesse 100.
Ele sabe tudo, sem que ninguém ensine,
sabe pular, calcular distâncias,
e cair de pé nas quatro patas
como um perfeito ginasta.
Um dia, Cacá chegou, assustado,
dentro de uma caixa.
E eu que nunca tive um gato,
descobri que esse gato agora
tinha a mim por prazo indeterminado.
Eis que domingo surgiu um gato.
Não para caçar mosquitos,
mas para fazer descobertas,
e brincar e dormir,
e passar o dia ao meu lado.
Às vezes, ele some.
E saio atrás dele:
- Cacá, Cacá, cadê você?
E ele aparece me olhando muito sério,
como se dissesse:
- Por que está me chamando?
Outro dia, fiquei trabalhando
um bom tempo enquanto ele dormia.
Depois de cansar de dormir,
acordou na cadeira,
olhou para mim
e fez uma expressão que dizia:
- Você ainda está aí?
Mas é de manhã que ele fala:
- Bom dia! Miau...
Juro que ele sabe o que diz,
porque só mia assim de manhã.
Gatos não são filhos.
Eles que tomam conta de nós,
enquanto nós tomamos conta deles.
Um dia, eles partem, antes que esperemos,
porque, como eu disse,
eles são muito mais velhos que nós.
Seu tempo corre acelerado.
Para cada ano, contamos sete para o gato.
Logo ele fica velhinho e vai para outro lugar.
Um céu de gatos, espero,
onde outros gatos irmãos
estão lá à sua espera.
Mas se Deus fez todos os animais,
fez os gatos com capacidade de nos tolerar.
Por isso, lembro que era domingo
quando Cacá chegou.
E, a partir daí, tudo mudou.
17/06/2015 - 23h51
Assinar:
Postagens (Atom)





